
© Cartier
O que dizer das primeiras novidades femininas que foram apresentadas na 25ª edição do Salon International de la Haute Horlogerie? Podemos dizer muita coisa. Mas, acima de tudo, podemos dizer que este ano as marcas deixam bem claro que os relógios de senhora continuam a lutar em força pela igualdade de géneros. E melhor: a união entre estética e mecânica revela-se agora mais forte.

© Audemars Piguet
Novidades preciosas – é o que se pode dizer dos primeiros modelos femininos de 2015 que foram apresentados na 25ª edição do Salon International de la Haute Horlogerie. Preciosas porque se há algo a dizer no que diz respeito a tendências para senhoras é o regresso do relógio bonito, quase jóia, de espírito romântico e feminino, mas com um q.b. de sofisticação técnica que interessa e muito.
Embora a tendência dos relógios-jóia nunca tenha desaparecido (nem de perto), terá sido ligeiramente contrabalançada nos últimos anos com o surgimento de relógios mais discretos e cosmopolitas, relógios mais relógios do que jóias apenas enriquecidos com detalhes decorativos de maior simplicidade que procuravam afastar a ideia do relógio como mero acessório. Também nos últimos anos, o crescente interesse das mulheres por relojoaria mais especializada, diga-se mecânica, tem levado muitas marcas a renderem-se às potencialidades deste público com o lançamento de peças que surpreendem por estarem equipados com movimentos de superior qualidade. Foi assim que se viu nascer algumas linhas, como o Rendez-Vous da Jaeger-LeCoultre ou o Bohème da Montblanc com movimentos mecânicos, que se vieram afastar do estereótipo do relógio de senhora enquanto versão reduzida de um relógio de homem.
Agora, em 2015, as primeiras novidades mostram que a relojoaria feminina está cada vez mais a consolidar o seu lugar no seio da relojoaria em geral – enquanto relojoaria com uma identidade própria. E o surgimento de relógios trabalhados, de estética preciosa – em particular com a frequente utilização de diamantes –, vem curiosamente comprovar esta ideia: os relógios femininos podem ser bonitos (e esplendorosos) e ter substância (muita!), ao contrário do que se poderia eventualmente continuar a pensar. Basta verificar que, uma grande parte das marcas já aposta em força no coração mecânico dos relógios destinados ao público feminino. Em suma, o SIHH mostra-nos que as mulheres estão a ganhar terreno e que já se podem deliciar com relógios de grande qualidade.
Sem qualquer objetivo de sermos exaustivos, apresentamos algumas das novidades que mais nos chamaram a atenção.
Richard Mille RM 19-02 Tourbillon Fleur

© Richard Mille
É obrigatório ver algum dos vídeos que mostram o modo de funcionamento desta maravilha da micromecânica. Sem dúvida, um dos pontos altos do Salão. A caixa caraterística da Richard Mille, profusamente decorada com diamantes, serve de moldura a um mostrador belíssimo que guarda uma delicada surpresa – uma magnólia cujas pétalas concebidas em ouro se abrem a cada cinco minutos para deixar emergir um turbilhão voador. Neste caso, a indicação das horas é secundarizada para um pequeno mostrador descentrado, em prol de uma complicação que é tão lúdica, como genial. A magnólia abre as suas pétalas também a pedido. Basta premir no botão localizado às 9 horas e o espetáculo acontece. Limitado a 30 exemplares, este turbilhão de 1.3 milhões de dólares nasceu para ser visto várias vezes ao dia e traz alguma cor e algum romantismo ao universo feminino da Richard Mille, com a combinação verde, violeta no motivo floral. Basta pensar no aracnídeo de Natalie Portman lançado no ano passado para em 2015 sorrirmos mais satisfeitos.
Jaeger-LeCoultre Rendez-Vous Moon

© Jaeger-LeCoultre
Cada vez mais respeitada e cada vez mais bem conseguida, a coleção Rendez-Vous continua a ser uma das principais apostas da Jaeger-LeCoultre e passou a ser exclusivamente mecânica (foram descontinuadas as poucas versões de quartzo). Este ano, a Grande Maison brindou-nos com mais alguns elementos novos, mas um deles piscou-nos particularmente o olho: o Rendez-Vous Luna descobre-se como um relógio que é uma autêntica jóia (linda, linda) de pulso. O ponto alto vai para o destaque que é dado à indicação das fases da Lua. No mostrador encontra-se uma carta celestial onde uma abertura sobredimensionada dá espaço a um disco rotativo que vai refletindo as várias fases da Lua. É raro a Lua ter tanto destaque num relógio de pulso. Para enriquecer mais este instrumento do tempo, a Jaeger-LeCoultre optou ainda por decorar a caixa com diamantes o que faz com que todo o conjunto se apresente ainda mais cintilante. Movimento de corda automática, claro.
Montblanc Bohème

© Montblanc
Charlotte Casiraghi foi anunciada, no SIHH, como nova embaixadora da Montblanc e o seu rosto passa a estar mais particularmente associado à linha Bohème. Esta nova coleção de relógios de senhora foi apresentada em setembro passado como símbolo da mulher contemporânea. Em traços gerais, os novos relógios distinguem-se pelas linhas elegantes e equilibradas ancoradas em cores claras e nos metais preciosos – em particular o ouro rosa. No mostrador saltam a vista os delicados numerais para indicação das horas, no interior vive um movimento mecânico. A grande surpresa terá sido mesmo o alargamento desta linha a um versão complicada com calendário perpétuo e indicação das fases da Lua.
Baume & Mercier Classima

©Baume et Mercier
O relançamento da linha Classima, em versões femininas e masculinas, foi uma das principais novidades da Baume & Mercier. A ideia da marca é associar esta nova linha às gerações mais jovens, destacando-a como o presente ideal para celebrar, por exemplo, um primeiro sucesso académico. As linhas contemporâneas unem-se a um estilo marcadamente elegante que nas versões femininas surgem com caixas em 36,5mm de diâmetro e com movimento mecânico ou de quartzo. Estão ainda disponíveis algumas variantes com mostradores cravejados com diamantes que contribuem para fazer sobressair o lado mais delicado deste instrumento do tempo.
Van Cleef & Arpels Cadenas

© Van Cleef & Arpels
O Cadenas – cadeado em francês – distinguiu-se em particular de entre as várias novidades apresentadas pela marca que nos costuma fazer sonhar com as suas complicações poéticas. Neste caso, não se trata do maravilhoso mundo encantado que conta histórias no mostrador, mas da recriação de um relógio que foi inicialmente lançado na década de 30 do século passado como símbolo de união e de aliança. Ao mesmo tempo, quando foi lançado, o seu discreto mostrador respondia ao facto de ser considerado deselegante, para as mulheres, vislumbrar as horas em público. Os primeiros Cadenas consistiam numa bracelete articulada com a caixa do relógio numa ponta e o fecho na outra que encaixavam um no outro, tal como se de uma pulseira se tratasse. Nas versões do século XXI, o mostrador foi ligeiramente ampliado. Destacamos a elegante o elegante e minucioso trabalho de cravação da caixa com diamantes.
Audemars Piguet Millenary

© Audemars Piguet
Este ano a Audemars Piguet recuperou um dos nossos modelos preferidos enriquecendo-o com pormenores que o tornam ainda mais apelativo e perfeitamente adequado à mulher que aprecia usar um relógio que é muito mais do que um relógio. Com a sua típica localização descentrada, o mostrador do novo Millenary surge agora em madrepérola. Apreciámos em particular o facto de a marca ter apostado num mostrador aberto que atribui um toque técnico que é pouco usual encontrar em relógios de senhora. O contraste é potenciado pelos elementos marcadamente femininos, como os diamantes na luneta e a bonita correia champanhe. Este novo instrumento do tempo está equipado com movimento de corda manual.
Clé de Cartier

© Cartier
A Cartier este ano voltou a apresentar uma grande variedade de instrumentos do tempo, tanto para homem, como para mulher. Um dos que mais se destacou foi o irresistível Crash, um icónico relógio da marca que replica os relógios que podemos encontrar no “Persistência da Memória” de Dali. Na edição de 2015, o Crash surge numa versão esqueletizada com caixa em platina que obrigou a uma adaptação do movimento, de modo a poder encaixar na perfeição na original caixa. Este é um relógio engenhoso que servirá ao gosto de qualquer um, homem e mulher, mas no que diz respeito a relógios de senhora, chamamos a atenção para alguns modelos de alta-relojoaria, mas também para os novos Clé que surgem com uma caixa arredondada, mas alongada e uma nova e elegante coroa que evoca as antigas chaves de dar corda aos relógios. Disponível também em versões masculinas (40mm de diâmetro), o novo Clé está disponível para senhoras com versões total/parcialmente cravejadas de diamantes em caixas de 35 e 31mm. Uma peça muito, muito elegante.


