
Exposição « Breguet au Louvre, un apogée de l’horlogerie européenne. © Breguet
A Breguet convidou a imprensa mundial para uma viagem no tempo em homenagem a Abraham-Louis Breguet, o mais genial de todos os relojoeiros. A Espiral do Tempo esteve presente no evento e conta-lhe todos os pormenores…
Hubert de Haro, em Paris

Abraham-Louis Breguet.
Haverá sempre Paris.
O cemitério de Père Lachaise estimula ainda e cada vez mais a curiosidade de turistas do mundo inteiro. Das 70.000 concessões, os túmulos de Jim Morrisson e de Oscar Wilde estão entre as mais visitadas, floreadas ou… etiquetadas. A sepultura da família Breguet (divisão 11), essa, permanece muito mais discreta.
No entanto, o patriarca Abraham-Louis representa um marco no seu tempo, ou melhor ‘nos seus tempos’. Uma surpreendente longevidade física e política permitiu-lhe sobreviver ao Antigo Regime, à República e ao Império. A sua vida terminou em 1823, em plena restauração da monarquia francesa, sob o nome de Louis XVIII.

Museu do Louvre, Napoleon Courtyard e Pyramid. © 2010 Musée du Louvre / Stéphane Olivier
Quase dois séculos passados, o Louvre decidiu homenagear o mítico relojoeiro. A exposição «Breguet no Louvre, um apogeu da relojoaria europeia» veio, em 2009, consagrar o homem e a sua impressionante capacidade de inovação. A produção do seu atelier, que abriu em 1775 na Doca do Relógio na cidade parisiense, foi determinante para a relojoaria mecânica de precisão e acabou por dar a volta às cabeças coroadas de uma Europa que se encontrava sob o encanto do século das Luzes.

Sala Gilbert e Rose Marie Chagoury. © 2014 Musee du Louvre, dist. RMN-GP/Olivier-Oudah.
Foi este reconhecimento que marcou também o início de uma ambiciosa parceria de mecenato entre o museu mais visitado do mundo e a sociedade Montres Breguet, adquirida em 1999 pelo Grupo Swatch. Nessa altura, o já desaparecido Nicholas Hayek, então presidente do grupo e da sociedade Montres Breguet, demonstrou mais uma vez a sua determinação e o seu lendário talento. Este ciclo de parceria termina em junho de 2014, com a abertura de novas salas de artes decorativas do século XVIII, em parte possibilitada por tal iniciativa de mecenato.

Vaso pot pourri em forma de barco, Charles-Nicolas Dodin, Sèvres, 1760. © 1990 RMN / Daniel Arnaudet

Classique Chronométrie 7727. © Breguet
O cenário imaginado por Marc Bascou, ex-diretor do departamento, e pelo decorador Jacques Garcia, foi inspirado nas “salas de período” ou “salas de evocação”, do Metropolitan Museum de Nova Iorque. De um total de trinta e três salas, catorze delas permitem aos visitantes conhecer a vida quotidiana dos ‘poderosos’ do Iluminismo num universo predominantemente colorido.

Classique Grande Complication with Tourbillon 5359. © Breguet
Os Cabinets de Curiosités, oficinas de estudos científicos muito na moda entre os aristocratas europeus da época, combinam perfeitamente com a extraordinária diversidade de artes decorativas apresentadas. Marchetaria Boulle, tapeçarias e revestimentos Goblin, porcelana de Sèvres são exemplos de uma prestigiosa lista de quase dois mil móveis e objetos ao longo do percurso do visitante. Abraham-Louis Breguet certamente teria passado muitas horas de estudo neste condensado de arte de viver à francesa.

Escrivaninha Marie-Antoinette, Jean-Henri Riesener, Paris, 1784. © 2010 RMN / Martine Beck-Coppola
Uma visita para miúdos e graúdos num espaço, sem dúvida, A Espiral do Tempo.



Hubert de Haro, Paris. A Espiral do Tempo viajou a convite da Montres Breguet.


