À conversa com Robin Hood

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Louis Moinet | Jean-Marie Schaller

Há uns tempos, demos conta de um acontecimento que alterou a história da relojoaria: a ida, no ano passado, a um leilão da Christie’s de um relógio feito por Louis Moinet, relógio este que esteve ‘escondido’ numa casa real europeia durante 150 anos e que, depois de analisado por diversos especialistas, tornou incontornável a necessidade de reescrever a história da relojoaria, nomeadamente em relação ao inventor do cronógrafo e ao desenvolvimento das altas frequências. Recentemente, entrevistámos Jean Marie Schaller, diretor criativo da marca Louis Moinet.

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© Louis Moinet

 
Na altura, entrevistámos Jean-Marie Schaller, a pretexto de se encontrar à demanda de um parceiro nacional para a marca da qual é fundador, CEO e diretor criativo, a Louis Moinet. Uma pequena marca de nicho que, a partir de Saint-Blaise, nos arredores de Neuchâtel, produz modelos de edição muito limitada e, sobretudo, peças únicas tecnologicamente avançadas, envoltas numa surpreendente qualidade artística. Se o seu trabalho vinha a ser notado pela raridade e pela qualidade dos seus produtos, como o de outras marcas independentes, a notoriedade que ganha com um acontecimento casual obriga-nos a olhar com mais atenção para esta marca.

Que ideia tem do consumidor português e do mercado relojoeiro em Portugal?
Acho que é um mercado maduro. Assim que se chega ao aeroporto, percebe-se que os portugueses gostam de relógios e, tanto no Porto, como em Lisboa, encontram-se bonitas e tradicionais relojoarias com as melhores marcas do mundo. Acho que é um mercado interessante para o cliente português e para os turistas, porque Portugal é, cada vez mais, um mercado turístico de referência e em expansão, onde se pode encontrar das mais importantes heranças culturais da Europa.

Que importância teve para a marca a descoberta de um cronógrafo feito pelo próprio Louis Moinet?
As pessoas começaram a levar-nos mais a sério. Temos de ver o negócio da relojoaria como uma pirâmide: no nível inferior, estão umas 100 marcas tradicionais; no nível acima, estarão umas 20 marcas com uma herança histórica, com uma história bonita para contar, e, até ao ano passado, nós estávamos neste nível. Agora mudámos para o nível 1, que é o nível dos relógios com um passado histórico e que pode reivindicar uma invenção importante. No século XIX, em França, dois amigos relojoeiros trabalhavam juntos: um, Breguet, inventou o turbilhão, e o outro, Louis Moinet, inventou o cronógrafo. Não se pode ir mais alto.

 

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© Louis Moinet

 
Em que medida é que isto influencia o vosso trabalho, hoje?
As pessoas estão interessadas no que fazemos hoje, claro, e, para mim, a revelação do exemplar que referiu é como um trampolim. Cabe-nos a nós saltar nele para subirmos. Em primeiríssima mão, revelo-lhe que estamos a trabalhar num cronógrafo emblemático que – esperamos – estará pronto para ser apresentado na feira de Basileia, no final de março, e que será um cronógrafo diferente de todos os outros, quer do ponto de vista do design, quer da tecnologia.

O que é que subsiste do espírito do próprio Louis Moinet na marca que ostenta o seu nome, visto que ele era, sobretudo, um académico?
Isso é muito importante. Quando eu recomecei esta empresa há dez anos, não o fiz para me tornar rico, mas para fazer um trabalho que pudesse ser interessante, do ponto de vista mecânico e do design. Foi por isso que eu senti que estava perto dos valores de Louis Moinet, porque, como disse, ele era um académico e um artista, e isso transpira do seu trabalho. Quando comecei, só tínhamos uma biografia de dez páginas sobre ele. Reli-a muitas vezes e procurei nela a inspiração para o que queria fazer. As perguntas que a nossa equipa se coloca a si mesma frequentemente são «Louis Moinet ficaria contente com isto? Concordaria com isto? Em que sentido iria?» Ele publicou um livro em 1848, que é uma bíblia da relojoaria com vários desenhos, e nós fizemos cópias para os designers, para que se inspirassem nos mesmos para conceber os novos modelos, nomeadamente o novo cronógrafo. Para mim, o importante é tentar, com humildade – porque ele era um génio –, captar o seu espírito, e que aquilo que venhamos a fazer esteja em linha com o que ele fez há 200 anos.

 

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© Louis Moinet

 
A generalidade dos relógios que compõem as coleções da Louis Moinet constitui pura alta-relojoaria mecânica, mas também contém pormenores de riqueza artística e artesanal, como um mostrador com osso de dinossauro fossilizado, no Jurassic Tourbillon, aquele movimento sui generis que se assemelha ao equipamento de extração de petróleo, no Derrick Tourbillon, ou a vossa coleção Treasures of the World. É uma tendência, o facto de a indústria da alta-relojoaria ser mais do que movimentos de excelência?
Para mim, a tradição não é suficiente. Desde o Império Romano, os mercados – sejam quais forem – estão em permanente mudança. No segmento dos relógios caros, o que nós pretendemos é fazer as pessoas sonhar. Não vendemos relógios que dizem as horas, mas sim algo que transmite emoções.
Louis Moinet foi um importante relojoeiro na Paris do século XIX, mas depois da sua morte, em 1853, o seu nome foi esquecido. Por isso, temos de escrever a nova história numa página em branco e, para nós, é importante que cada relógio conte essa história. Há marcas que fazem coisas fantásticas, têm uma herança, e não têm de provar nada. Nós temos de ir um passo mais à frente, temos de surpreender os nossos clientes. Como empresa pequena e independente, é importante sermos vencedores num mundo onde há grandes empresas com muito dinheiro para publicidade. Muitos clientes compram Louis Moinet porque é algo que nunca viram antes, e, nesse sentido, sim, o que fazemos é mais do que relojoaria.

Porque é que alguém prefere trabalhar na Louis Moinet em vez de trabalhar numa das grandes casas de alta-relojoaria?
(Risos) Não é pelo salário. Viu o filme Robin dos Bosques? As pessoas que trabalham connosco gostam de viver na floresta de Sherwood, não gostam de viver com o Xerife de Nottingham. (Risos)

 
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Leia a entrevista completa no número 45 da edição impressa da Espiral do Tempo

Mais informações:
Louis Moinet

 

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