Instantâneos de feiras de vaidades

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Momentos, apontamentos e imagens de reportagem da primeira grande concentração anual da indústria relojoeira de 2013, repartida entre o Salon Internacional de la Haute Horlogerie e as muitas iniciativas paralelas que a acompanharam em Genebra. As modas dos stands e as tendências de cada marca, a sua projeção comunicacional e alguns relógios curiosos.

Miguel Seabra, em Genebra

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A 23ª edição do elitista Salon International de la Haute Horlogerie dominou a chamada Geneva Wonder Week, acompanhada da quarta realização da Geneva Time Exhibition, da World Presentation of Haute Horlogerie do Grupo Franck Muller, da exibição Carrera 50 Years da TAG Heuer e ainda de uma plêiade de apresentações monomarca em showrooms nos melhores hotéis genebrinos.

Como não podia deixar de ser relativamente a marcas de médio ou grande luxo, a comunicação assume um papel preponderante – com várias manufaturas tradicionais a optarem pelo essencial e outras, como dizem os anglófonos, a ‘puxarem o envelope’ no que diz respeito aos espaços criados para receberem os seus clientes e a imprensa. E tornou-se também incontornável passar pela exibição da Fundação da Alta Relojoaria (FHH) patente no SIHH.

 
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A prestigiada A. Lange & Söhne teve como vedeta da sua nova coleção o Grand Complication de dois milhões de euros, mas não deixou ninguém tocar-lhe fisicamente… e nem sequer tirar quaisquer fotografias. Haverá em breve uma espécie de volta ao mundo em que a marca germânica irá apresentar a sua obra-prima em vários países dos diferentes continentes. Porque no Salão Internacional de Alta Relojoaria, o ultra-exclusivo Grand Complication só pôde mesmo ser retratado através do exemplar gigante que dominava a entrada do stand, de uma fotografia de press release ou em imagens sobredimensionadas num grande écrã durante a apresentação à imprensa.

 
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A manufatura Jaeger-LeCoultre, sempre sóbria, colocava em evidência à entrada do seu espaço a data do seu 180º aniversário: a Grande Maison foi fundada em 1833 na localidade de Le Sentier, nesse berço da alta-relojoaria que é a Vallée de Joux.

 
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As apresentações dinâmicas dos relógios e das joias Piaget centram sempre as atenções da imprensa masculina e feminina, mas por razões bem diferentes…

 
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O stand da Roger Dubuis inspirou-se num mundo de fábulas… a águia gigante à entrada exerceu um fascínio perverso sobre os observadores e as opiniões dividiram-se: houve quem gostasse, houve quem detestasse. Os fanáticos de Harry Potter ou de Tolkien talvez tenham achado alguma piada; os outros nem por isso. Há responsáveis de marketing que vão mesmo muito longe para vender relógios muito caros.

 
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A narrativa da IWC esteve intimamente associada à sua nova parceria com a escuderia Mercedes de Formula 1 e o seu stand mais parecia uma box de um autódromo; Ao lado direito da entrada, o famoso Mercedes ‘Silver Arrow’ dos anos 50 foi uma das vedetas mais fotografadas do SIHH.

 
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A Vacheron Constantin, sempre clássica e indiferente às modas (ou até mesmo propositadamente em contra-corrente!), preferiu exaltar o artesanato tradicional da alta-relojoaria com vários especialistas em atividade no local, incluindo um mestre de guillochagem com a respetiva máquina decorativa de mostradores.

 
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O espaço da Van Cleef & Arpels é sempre etéreo, sempre parisiense, sempre romântico… e sempre muito feminino. Os seus relógios com complicações poéticas (e a marca parisiense até patenteou a designação ‘complicações poéticas’!) desenvolvidas pelo mestre Jean-Marc Wiederrecht já se tornaram uma tradição do SIHH.

 
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Nos bastidores do SIHH voltou a falar-se de uma eventual rutura entre a Ralph Lauren e o grupo Richemont que lhe faz os relógios e proporciona mecanismos (Jaeger-LeCoultre, IWC, Piaget), mas para já essa cisão tem sido desmentida. A marca americana voltou a puxar pelos seus galões decorativos, investindo mais uma vez no mundo do hipismo e no espírito de safari; no meio da living-room do respetivo stand, por trás da receção e escondido dos corredores, estava um belo Land Rover vintage.

 
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A Montblanc surpreendeu este ano com um declarado investimento na arte contemporânea e expôs várias criações de artistas consagrados que formam a ‘Montblanc Cutting Edge Art Collection’, desde Atsushi Kaga a Stephen Craig, passando por Jan Christensen e Pablo Alonso. Grande impacto cromático.

 
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Não havia memória de um SIHH em janeiro tão frio: lá fora estavam zero graus e Genebra estava meio coberta de neve, mas o espaço da Baume & Mercier (à semelhança do que sucedeu nos últimos dois anos) voltou a estar imbuído do espírito estival e costeiro dos ensolarados Hamptons (uma espécie de Cascais para Lisboa, mas relativamente a Nova Iorque; ou não).

 
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Após um desgastante dia no Palexpo, os convidados do SIHH podiam sempre espairecer à noite em ambiente de convívio no The Boat: um barco ancorado no Quai de Montblanc vocacionado para o chamado After Hours, com discoteca, casino, música ao vivo, bares e degustação gastronómica repartidos pelos vários pisos da embarcação. Sempre até altas horas da noite, fazendo com que muita gente dormisse escassas horas até à jornada seguinte… mas atenção: muitos bons negócios foram lá feitos!

 
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Uma das tradições do SIHH para os jornalistas (e não só) consiste em ‘apanhar’ o máximo possível de revistas de todo o mundo especializadas em relojoaria que estão expostas num espaço próprio à entrada do salão. Há-as às dezenas e a Espiral do Tempo não podia deixar de estar presente (vê-se bem do lado esquerdo, em baixo, com Caroline Scheufele da Chopard na capa). O problema é o peso, que se pode traduzir no pagamento de uma substancial multa pecuniária por excesso de quilos no aeroporto; a solução é conseguir alguns dos apetecíveis vouchers da TNT que são distribuídos gratuitamente e… seletivamente. Não digam a ninguém, mas expedimos 49 revistas. Como sabem, o papel pesa…

 
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Fora do Palexpo e a vários quilómetros do SIHH (o Palexpo fica colado ao aeroporto), a TAG Heuer voltou a montar a sua exibição anual no Espace Sécheron, em plena zona industrial de Genebra. O tema: os 50 Anos do Carrera, o seu emblemático cronógrafo desenhado em 1963 por Jack Heuer; em exibição estavam não só modelos do Carrera ao longo das suas várias décadas de vida mas também obras representativas da arte e da arquitetura (incluindo móveis assinados por conhecidos designers) das últimas cinco décadas.

 
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Mais no centro de Genebra, e no Edifício das Forças Motrizes, o Geneva Time Exhibition não apresentou o mesmo grau de sofisticação sempre inerente ao SIHH e às poderosas marcas de luxo que lhe estão associadas, mas mostrou-se digno e vale sempre a pena acompanhar as novidades e o espírito criativo das chamadas marcas independentes e de nicho, sendo que algumas manufaturas expositoras são mesmo de alta-relojoaria, como a Laurent Ferrier e a Hautlence.

 
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E assim concluímos uma diferente súmula fotográfica do ambiente dos salões da apelidada Geneva Wonder Week. Todas as imagens foram captadas amadoramente via iPhone (copyright Miguel Seabra/Espiral do Tempo, apesar disso!), pelo que há que dar o desconto: neste resumo privilegiou-se sobretudo a reportagem e o instantâneo em detrimento da qualidade…

 

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