Relojoaria iluminada

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Exposição Breguet

Breguet é o sobrenome mais respeitado na história da relojoaria – porque se devem a Abraham-Louis Breguet praticamente todos os principais desenvolvimentos da arte relojoeira. Em sua homenagem e em homenagem às suas máquinas do tempo, o Museu Nacional Suíço apresenta a exposição ‘A.-L. Breguet: Como a Relojoaria Conquistou o Mundo’.

Exposição Breguet (principal)

 
Só muito recentemente, desde a década de 1990, é que se adotou a prática de colocar o nome de um mestre contemporâneo no mostrador de uma marca moderna de alta-relojoaria. De resto, as mais prestigiadas manufaturas têm nomes seculares – e nenhum deles apresenta uma auréola que suscita tanto respeito como o sobrenome Breguet. Porque Abraham-Louis Breguet é considerado como o maior relojoeiro de todos os tempos, tendo patenteado todas as principais invenções da relojoaria mecânica no final do século XVIII e inícios do século XIX.

 
Exposição Breguet (Foto Breguet)

 
Foi precisamente na transição do Século das Luzes para o Século da Revolução Industrial que o mundo cambiou substancialmente, não só através de clivagens sociais e da conquista de novas fronteiras geográficas como também de uma perceção do tempo mais apurada do que nunca. Abraham-Louis Breguet nasceu em Neuchâtel, na Suíça, em 1747, e assentou posteriormente arraiais em Paris, onde passou mais de 50 anos a conceber preciosos instrumentos do tempo para as mais poderosas personalidades da altura até à data da sua morte em 1823 – desde Maria Antonieta e Napoleão Bonaparte ao rei Jorge IV de Inglaterra, sem esquecer o Czar Alexandre I e Luís XVIII. E é em honra do genial relojoeiro que o Museu Nacional Suíço reúne, numa exposição que decorre em Zurique até ao dia 8 de janeiro de 2012, mais de 200 items históricos relacionados com ele: relógios de bolso, cronómetros de marinha, retratos, esboços que ilustram os pedidos de patente destinados a proteger as suas invenções, manuscritos raros que são revelados publicamente pela primeira vez.

 
Exposição Breguet (Museu Nacional Suíço)

 

O histórico acervo foi reunido graças ao empréstimo de peças por parte de diversas instituições e museus um pouco por essa Europa fora (sobretudo França, Inglaterra, Rússia, Suíça) e que se vieram juntar às criações pertencentes à Montres Breguet SA e ao lendário relógio adquirido por Napoleão Bonaparte em 1798 antes da sua campanha egípcia (atualmente integra a coleção do próprio Museu Nacional Suíço). O inédito acervo foi primeiramente apresentado no Château de Prangins e depois passou pelo Louvre antes de chegar a Zurique, onde se faz acompanhar de artesãos relojoeiros que exemplificam manualmente, em ateliers montados no próprio local de exposição aos domingos, os diversos mesteres clássicos da alta-relojoaria – desde a gravação à decoração em guilloché.

 
Património e tradição

Exposição Breguet (relógio fases da Lua)

 
O chamado estilo Breguet marcou vincadamente as criações relojoeiras de 1790 a 1850 – com uma linguagem estética assente em caixas caneladas, ponteiros azulados de abertura na ponta, indicações assimétricas, mostradores trabalhados em guilloché ou esmaltados. Esses traços distintivos sobreviveram à passagem dos tempos e constituem o paradigma do classicismo relojoeiro, estando disseminados na indústria relojoeira (a espiral Breguet, os ponteiros Breguet, os algarismos Breguet) e podendo sobretudo ser encontrados em modelos de uma elegância clássica elevada à máxima potência que constituem a coleção da marca nos dias de hoje. E a Breguet só inclui na sua coleção monumentos dedicados ao mais famoso relojoeiro da história e que são adaptações contemporâneas das suas criações. 
Mas por mais tradicionais que possam parecer os mostradores evocativos do Século das Luzes, a marca também trabalha com materiais de vanguarda como o silicone e apresenta um naipe de modelos assaz completo – desde os fabulosos La Tradition que transbordam de técnica até às complicações dos elegantes Classique, passando pelo mais militar Type XXI e pelos femininos Reine de Naples.

 
Exposição Breguet (relógios de bolso e de mesa)

 
O certo é que são dignos do mais significativo apelido na história da relojoaria, assentes em mais de 40 calibres mecânicos distintos manufaturados na Vallée de Joux; as grandes especialidades são as complicações, desde o turbilhão (a mais afamada invenção de Abraham-Louis Breguet) até ao calendário perpétuo, do alarme à repetição minutos, do cronómetro ao cronógrafo.
Breguet foi mesmo nomeado Relojoeiro da Marinha Real no século XIX graças à qualidade dos seus cronómetros de marinha. Já no século XX, a sua marca passou a fornecer contadores e cronógrafos de bordo nos aviões de caça. Os dois vetores patrimoniais juntam-se em 1958 na referência Type XX Aéronavale; o recente Type XXII evoca esse lendário modelo mas utiliza o primeiro mecanismo dotado de um órgão regulador que bate à frequência de 10Hz (72.000 alternâncias/hora), graças ao seu escape ultraleve elaborado em silicone.
A emblemática exposição do Museu Nacional Suíço evoca as raízes clássicas do melhor que se faz atualmente na relojoaria e sobretudo homenageia esse enorme vulto na história da micromecânica que foi Abraham-Louis Breguet – o homem que dominou o tempo no tal Século das Luzes que iluminou o pensamento da humanidade.

 

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